HOMENAGEM DOS 96 ANOS da UNIÃO ESPIRITA PAZ E CARIDADE e ABRIGO ISMAEL

Sr. GEDEÃO FERNANDES DE MIRANDA, nascido em 15/10/1894, em Bariri/SP, de família católica de humildes lavradores, na adolescência, viu-se enredado por notáveis fenômenos de efeitos físicos, acompanhado de cruéis processos obsessivos, chegando a exclamar queja não acreditava nem em Deus e nem no Diabo.


Exatamente neste período que conheceu Joaquim Olimpio da Silva, médium curador, que conseguiu curar sua mãe de uma obsessão que durava 20 anos, livrando inclusive de uma paralisia no braço. Este fato despertou-lhe interesse pela Doutrina Espírita, adquiriu “O Livro dos Espíritos”, cuja leitura o entusiasmou bastante, especialmente o capítulo “Da Pluralidade das Existência”.


Com a calma familiar restabelecida, mudaram-se para a cidade de São Sebastião do Paraiso/MG, onde trabalharam como colonos numa fazenda de café. Em 1914 a família transferiu-se para Araçatuba quando Gedeão já contava com 20 anos de idade, indo trabalhar na derrubada de matas na fazenda do Sr. Antônio Amaral. Naquela época prevalecia a extração de madeira que era enviada para Campinas por uma empresa madeireira instalada nas cercanias da antiga estação ferroviária, em cujo pátio em depositadas gigantescas toras.


Foi com suas próprias mãos que rasgou o chão inóspito das matas da Alta Noroeste, para plantar a árvore frondosa do Consolador Prometido, iniciando reuniões familiares que culminariam na fundação do primeiro centro espírita de Araçatuba: “União Espírita Paz e Caridade. Contava ele que nesta cidade não encontrou nenhum espírita – os seus poucos habitantes eram católicos. Assim começou a realizar o “Estudo do Evangelho no Lar”, todas as terças feiras, quando fazia suas preleções às pessoas que se sentavam em sacas de arroz por ele colhidas em parceria agrícola com o Sr. João Donha. Ambos cultivavam numa grande várzea, hoje transformada na bela avenida João Arruda Brasil.


Em 21 de abril de 1921, ocorreu a fundação da “União Espírita Paz e Caridade”.
Gedeão foi auxiliado por um pequeno, mas qualificado grupo de espíritas. Amorosamente plasmados na intimidade do seu lar. Entre eles, cumpre destacar o Sr. José Sanches Gusman que doou um terreno, cuja venda permitiu a compra de uma área maior localizada na estrada do Córrego Azul, atual Rua Marcílio Dias 128, Bairro São Joaquim. A edificação da modesta construção – cujas paredes eram de barro – foi feita pelas próprias mãos de Gedeão, enquanto João Donha atuava como servente.
A versatilidade de Gedeão não parava por ai. Como presidente da “União Espírita Paz e Caridade, teve o zelo de mandar imprimir em outubro de 1923, seu Estatuto Social, na “Typografia d’O Clarim”, dirigida pelo eminente vulto Cairbar Schutel ,em Matão.
A diretoria relacionada naquela publicação era a seguinte: Gedeão Fernandes de Miranda, presidente; Júlio Monteagudo Pinheiro, vice, sendo os demais membros Antonio Manoel da Cunha, Mauro Guimarães, José Miguel Serapião.


As tarefas espirituais ganhavam força, sob a proteção de muitos Espíritos Benfeitores. O trabalho passou a atrair grande número de necessitados, obrigando-o junto aos amigos, a reservar amplo alojamento para as pessoas enfermas, que vinham, inclusive de outros estados vizinhos, em busca de atendimento, havia casos muito graves de doenças mentais já instaladas, pelo que, o próprio Gedeão transportava os referidos pacientes de trem para a cidade de Franca, onde havia um tratamento mais específico. Para tanto, Gedeão foi obrigado a tirar um salvo-conduto, para não ser preso durante a viagem, em razão de levar consigo aqueles pacientes, que, à época eram trancafiados nas Cadeias Públicas. Mais tarde em 1932, os doentes mentais passaram ser carinhosamente tratados em Araçatuba mesmo, pela venerável Benedita Fernandes.
No que se refere à vida pessoal, Gedeão, casou-se em 1921 com Dona Maria Julia de Aquino, viúva e mãe de três filhos, com teve outros seis. O casal adotou ainda um menino recém- nascido, cuja mãe era portadora de hanseníase e morrera na parto. Atualmente, todos os filhos das primeiras núpcias já desencarnaram, entretanto, deixou um número expressivo de netos residentes em nossa região.
Em 1923, um grupo de senhoras, sob direção de Dona Maria Julia de Aquino Miranda, fundou a Associação das Senhoras Espíritas, O ABRIGO ISMAEL, para socorrer aos mais pobres, depois departamento da União Espírita Paz e Caridade. Dona Maria Julia era uma personalidade encantadora, alojava os necessitados, dando-lhes alimentação. Não raro, acolhia, em sua própria casa, pessoas com intrincados processos obsessivos, permanecendo ali por algum tempo, até que adquirissem o reequilíbrio necessário para volverem à família.


Em 1928, foi convidado pelo Sr. José Sanches Guzman para trabalhar na lavoura de café, localizada no Bairro Goulart, onde reinstalou o culto Evangelho no Lar e com o inestimável amigo Guzman, fundaram no Goulart,o Centro Esspírita “Humilde dos Pobres”.
Se em parte contribuíam para a propagação da Doutrina nascente, de outra, lhe traziam alguns inconvenientes, como o título de “Curador do Goulart” pela fama de médium curador de Gedeão, não tardou muito para que fosse denunciado, pelo inconformismo, ao Dr.Gamaliel, ilustre delegado de polícia de Birigui, que deu-lhe o exíguo prazo de 24 horas para que abandonasse o município, sob pena de prisão, acusado do crime de espalhar o Espiritismo como peste bubônica. Assim. Gedeão colocou seus poucos móveis sobre a carroça e retornou para Araçatuba. Neste episódio, não faltou a prova inequívoca amizade e solidariedade de Guzman que viajou em companhia de amigos até Campinas, para entrevistar-se com o Senador José Ribeiro, também membro da diretoria da Federação Espírita Brasileira na cidade do Rio de Janeiro. O respeitável político expediu um oficio, restituindo prontamente a justiça, permitindo o imediato regresso de Gedeão e de sua família para o Goulart.


Gedeão mantinha estreita correspondência com a FEB, naquele período sediada na cidade do Rio de Janeiro, então capital do País. Mantinha-se atualizado em constantes intercâmbios com os jornais O CLARIM de Matão e NOVA ERA de Franca. Dentre os documentos da época, guardou com muito carinho, uma carta manuscrita por Manoel Quintão, então presidente da FEB, datada de 30/07/1931. Na valiosa missiva, o ilustre presidente respondia às acuradas indagações de Gedeão sobre o passe: “Os passes, quando ministrados com fé e pureza de intenção, aproveitam a quem os dá e a quem os recebe, porque, neste caso, a só aproximação dos Espíritos doadores produz a harmonia do ritmo vital dos organismos, tanto quanto propicia bons pensamentos, que são também salutares, porque o pensamento é força ativa. Mas por isso mesmo, que os passes, são um remédio preciso, não devem ser aplicados arbitrariamente, a torto e a direito. O médium que os aplica e o paciente que os recebe devem estar concentrados, atentos e mostrarem-se dignos por palavras, pensamentos e obras, da esmola que pretendem alcançar”.


Gedeão foi contemporâneo de Benedita Fernandes, inclusive fazendo-se presente na reunião de 06/03/1932, assinando a ata de fundação da “Associação das Senhoras Cristãs”; em 1945, fundou o “Centro Espírita Guillon Ribeiro”, no Bairro da Prata em Araçatuba; e,11/06/1949, foi convidado a participar da reunião de fundação da “Aliança Espírita Varas da Videira”. Em 1977, o Sr. Gedeão mudou-se para a cidade de Birigui, onde fundou a “União Espírita Casa do Caminho”, participou da fundação do “Centro Espírita José Sanches Guzman”; Foi neste laboratório vivo de ternas vibrações, que orientou e preparou para fundar a “Casa do Caminho Ave Cristo” que se constitui um centro de reabilitação para jovens com dependência de drogas, cuja instituição é o resultado natural do seu espírito empreendedor.


No inverno de 1991, Gedeão contava com 96 anos, no entardecer de 06 de junho de 1991 que o Espírito Pioneiro e combativo de Gedeão Fernandes de Miranda demandava a Pátria Espiritual, cercado de seus familiares e amigos, deixando como herança, o exemplo de um verdadeiro cristão com suas nobres realizações em favor da propagação da Doutrina do Consolador e do socorro aos que sofrem, sempre em permanente clima de renúncia e paciência, fazendo alusão, inclusive, à sua pobreza material na qual carpiu muitas privações, porém jamais se ouviu dizer “eu preciso”, porquanto sustentava que se considerava muito rico, porque era um homem que não tinha necessidades.

 

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